Os professores devem
ter em mente que a
informática não é
uma disciplina que
concorre com seus
ensinamentos. Pelo
contrário: ela pode
ser uma ferramenta
de ajuda do
desenvolvimento do
seu próprio
trabalho. A opinião
é do especialista em
informática
educacional,
professor Esmeraldo
Caniloi Júnior.
O professor, que é
fundador do site
Informática
Educacional
(www.informaticaeducacional.com),
concedeu uma
entrevista ao Portal
Ensino Digital e fez
comentários sobre
vários assuntos.
Entre eles destacou
a importância das
Tecnologias da
Informação e
Comunicação (TICs).
Confira abaixo os
principais trechos
de nossa conversa.
Portal
Ensino Digital:
Quais as
características
positivas do
computador para a
aprendizagem?
Esmeraldo
Caniloi Júnior:
A educação só tem a
ganhar. Afinal
estamos lidando com
alunos da geração
digital, que
nasceram e cresceram
utilizando, de
alguma forma, os
recursos digitais
interativos, seja
jogando um vídeo
game, assistindo
televisão, navegando
na internet, usando
celular,
comunicadores
instantâneos, entre
outras tecnologias.
Se quisermos a
atenção deles, temos
que falar a
linguagem deles, ou
seja, a linguagem da
tecnologia. Aquela
aula simplesmente
expositiva já não
prende a atenção do
aluno.
Outra característica
positiva é que o
aluno, ao produzir
um trabalho
envolvendo a
informática com
outras disciplinas,
“aprende com a
informática e
aprende
informática”, ou
seja, aprende os
conteúdos das
disciplinas
envolvidas no
projeto e, como
conseqüência,
aprende sobre as
ferramentas (TIC’s)
utilizadas no
processo.
PED:
Que vantagens a
informática traz
para os professores?
ECJ:
A informática
apresenta-se como um
ferramental a mais
para o educador em
sua prática
pedagógica. O
professor de outras
disciplinas percebe
que a informática
não concorre com a
sua, mas significa
uma possibilidade a
mais no
desenvolvimento do
seu próprio
trabalho. Assim são
os frutos da
parceria da
informática com as
demais disciplinas:
apresentações de
conteúdo por meio de
recursos de
multimídia,
utilização de
ferramentas de
autoria, criação de
sites, blogs,
pesquisas, produção
de “Webquests” pelos
professores, entre
outros.
PED:
O uso das TICs
facilita o interesse
dos alunos pelos
conteúdos? Por que?
ECJ:
A Informática por si
só atrai a atenção
dos alunos. Ela é,
na verdade, uma
ótima alternativa
para aproximar o
aluno do professor e
vice-versa. Para se
ter uma idéia, nas
feiras científicas
ou encontros
culturais é cada vez
mais freqüente a
apresentação de
trabalhos que
utilizam a
informática como
recurso. Além de
maquetes e cartazes
podemos também
perceber a presença
de computadores
exibindo algum
conteúdo relacionado
ao trabalho em
exposição. No
colégio onde sou
professor chegamos a
ter 90% dos
trabalhos em
exposição utilizando
computadores. Os
jovens de hoje se
comunicam utilizando
todos os tipos de
mídias possíveis e o
computador oferece
essa oportunidade.
PED:
O que é necessário,
além do computador,
para que as TICs
sejam realmente
aplicadas no
processo de
aprendizagem?
ECJ:
As TICs sozinhas não
fazem efeito, são
apenas ferramentas.
Se não tiver
envolvimento,
planejamento e
abertura das
disciplinas
envolvidas, ficam
ali, esperando,
implorando para
serem exploradas.
PED:
Falando em TICs,
como elas estão
sendo aplicadas no
processo
educacional?
ECJ:
Os projetos
interdisciplinares
envolvendo as
diversas áreas do
conhecimento com a
disciplina de
informática, têm
desmistificado o uso
das TIC’s nas
escolas,
principalmente para
os professores das
outras áreas. Isso
acontece a ponto
desses professores
passarem a solicitar
trabalhos que
envolvem as TIC’s
diretamente para o
aluno, ficando a
parte de produção
para o professor de
informática. Com
isso, o professor da
disciplina continua
com o seu conteúdo,
enquanto os
trabalhos são
produzidos na aula
de informática,
ficando algumas
aulas reservadas
para o aluno
apresentar sua
produção ao
professor da
disciplina
envolvida.
Presenciamos também
a utilização de
lousas digitais em
várias escolas, que
possibilitam
interatividade e
reprodução dos
diversos tipos de
mídia, com o auxílio
de um datashow. Por
último, a utilização
de webquests, teve
um efeito muito
positivo e deu um
sentido maior para
os alunos e
professores.
PED:
O que é um webquest?
ECJ:
Webquest é
um método de
pesquisa dirigida
que aproveita todos
os recursos
oferecidos pela
Internet. Trata-se
de uma atividade
investigativa, em
que alguma ou toda a
informação com que
os alunos interagem
provém da internet.
O webquest parte de
um tema (Segunda
Guerra Mundial, por
exemplo) e propõe
uma tarefa que
resulta em um
produto final criado
de preferência por
um grupo de alunos –
as aulas multimídia,
por exemplo. A
criação deste
produto envolve
necessariamente
pesquisas na
Internet,
planejamento e
organização do grupo
para a sua execução.
O trabalho do
professor, ao
confeccionar o
webquest, é definir
a tarefa, indicar os
procedimentos
necessários para sua
execução e os
recursos previamente
selecionados, que os
alunos devem
utilizar como base
para não se
dispersarem no
manancial de
recursos de
informações
oferecidos pela web.
Devemos deixar clara
a importância de o
professor explicar
com detalhes todos
os critérios por
meio dos quais a
tarefa será
avaliada. Desta
maneira, todo o
grupo poderá se
auto-avaliar também.
PED:
O que é necessário,
na formação dos
professores, para se
trabalhar com as
TICs?
ECJ:
O grande problema
está nos cursos de
graduação, que não
prepararam e não
preparam o “futuro
professor” para
utilizar as TIC’s a
favor da educação.
Agora, temos os
professores que já
estão atuando, que
fazem parte da
geração dos
“Imigrantes
Digitais”, aqueles
que lecionam a muito
tempo e presenciaram
e as inovações
tecnológicas no
passar dos anos.
Presenciaram, mas
não se apropriaram
desta tecnologia.
Os professores
precisam ter em
mente que a
tecnologia é um
recurso a mais, um
recurso a seu favor,
mas principalmente
um recurso que faz
parte do cotidiano
dos alunos de hoje,
a geração de nativos
digitais. Eles
precisam falar a
linguagem da
tecnologia se
quiserem tirar
proveito das TICs.
Não quero dizer que
as TICs são a
solução para o
problema da
educação, mas um
complemento. Deve
haver um equilíbrio
e principalmente um
reconhecimento do
seu potencial.
