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Atividades de Raciocínio Lógico
Claudia Maria Galvani de Moura Bertasso
Quem nunca tentou resolver um problema
como este?
Sabendo que somente um dos rótulos diz a verdade, deduza em que caixa está
o doce:

Um aluno da 6ª serie respondeu que: “É a
primeira. Porque a primeira e a terceira
mentem, portanto não esta na terceira. A
segunda diz a verdade e não esta nela,
portanto é na primeira que esta o doce.”
Ou mesmo como este:
Você é capaz de preencher os espaços em branco?
A resposta dada pela maioria dos alunos
é a letra E para a coluna da esquerda e
N para a coluna da direita. A
justificativa tem sido “É só ver em
zig-zag”. Esse tipo de exercício lógico
é mais prático e estimulante, mas não
menos desafiador, pois torna a atividade
mais competitiva. É como dizer “Eu
posso, eu consigo.”
Há outros como este de nível médio que
requer mais interpretação da parte
literal:
Paula Pidona é conhecida em toda a rua
por sua mania de estar sempre pegando
alguma coisa emprestada e sempre
esquecer de devolver. Na verdade, na
semana passada, em cada dia ela apareceu
na porta de uma família diferente (Amil,
Hora, Noel, Simão e Well) para pedir uma
coisa diferente (pão, queijo, sabão,
ovos, sacos de lixo). Você poderia
identificar a família que ela visitou e
o que pediu em cada dia?
a)Paula visitou a família Hora na quarta-feira.
b)Paula pediu ovos emprestados um dia antes de ter ido à casa da família
Amil, mas algum tempo depois de ter
pedido sacos de lixo.
c)A visita feita aos Well na sexta-feira foi para pegar sabão emprestado.
d)Paula esteve na casa dos Noel algum tempo antes da Sra. Simão tê-la
emprestado pão.
Esse exercício requer muito
intelectualmente dos alunos. Demoram
cerca de duas aulas para que todos
chegarem à seguinte conclusão: Escolhi a
seguinte resposta, como foi
originalmente montada por um grupo, para
análise qualitativa:
|
Dia da semana |
Família |
Produto |
|
Segunda-feira |
Noel |
Sacos de lixo |
|
Terça-feira |
Simão |
Pão |
|
Quarta-feira |
Hora |
Ovos |
|
Quinta-feira |
Amil |
Queijo |
|
Sexta-feira |
Well |
Sabão |
A idéia de se aplicar
atividades de raciocínio lógico surgiu
quando senti necessidade de obter mais
concentração, melhor leitura e
interpretação dos alunos, assim também
como forma de diversificar as aulas com
atividades paralelas às do currículo
básico. Os exercícios de raciocínio
lógico estimulam o raciocínio, a
leitura, a concentração, e a visão
espacial através de problemas
matemáticos que podem ser esquematizados
de diversas formas, como os mostrados
acima. Quando se aplica esta atividade
em qualquer sala de aula no primeiro
instante nota-se a relutância dos alunos
devido à necessidade de se fazer uma boa
leitura e interpretação do problema,
pois não estão acostumados com esses
tipos de exercícios. No entanto,
momentos depois, a classe toda
participa, inclusive os alunos
“problemas” que têm capacidades e
talentos fantásticos, sendo perceptivo o
interesse destes pelo desafio; deles
obtenho os melhores resultados. Acredito
que isso se deva ao fato dessas
atividades não requererem conteúdos
específicos de Matemática, somente
leitura, interpretação e atenção.
Os alunos estão
acostumados com problemas que
necessariamente requerem conteúdos
algébricos, porém pode-se trabalhar com
exercícios que apenas utilizam a visão
espacial e o raciocínio lógico.
Trabalhei com os diversos níveis de
ensino: Fundamental, Médio e EJA – as
atividades podem ser desenvolvidas
individualmente, no entanto o sucesso é
impressionante quando trabalhadas em
grupos de no máximo quatro alunos, pois
desta forma torna-se mais proveitosa,
visto que é possível notar a discussão
pertinente ao tema proposto. É bom ver
os alunos discutindo como se chega a
resposta. Não percebo grandes diferenças
de raciocínio entre uma série e outra, o
que difere é o tempo que se gasta para
apresentar a solução do problema de
raciocínio lógico. Mesmo assim, às
vezes, me surpreendo com algumas turmas.
Começo sempre com atividades de nível
fácil e médio, preparo as folhas de
trabalhos (FTs) com os problemas, cada
aluno recebe uma folha, o grupo resolve
os desafios e apenas um integrante
entrega a resposta para correção. Esta
correção é feita por mim e devolvida aos
alunos, mas antes faço a socialização
das respostas com a classe,
compartilhando as diferentes conclusões.
Esta é uma atividade que
prende a atenção devido ao estímulo, à
concentração e à leitura. O aluno deve
se concentrar nas dicas que o problema
apresenta para sua solução, sendo cada
detalhe fundamental para a resolução da
atividade. Qualquer professor da área
pode aplicar este trabalho só depende da
sua observação e da sua intervenção
consciente. Não há restrições, somente a
competição e o desafio que o aluno
enfrenta com ele mesmo. Estimule-os ao
debate de como foram feitas as etapas da
resolução e de como chegaram à resposta,
peço que exponham para a sala - esta
prática é muito proveitosa. Quando
aplico estas atividades de raciocínio
lógico a única regra é que todos devem
colocar a resposta para a pergunta ou
perguntas dos problemas. Não ensino como
fazer e sim explico o que fazer. Cada
individuo tem um modo particular de
visualizar e responder esses problemas e
isso sim , para mim, é muito importante.
Quero conhecer o raciocínio do meu
aluno, como ele alcançou essa resposta e
colocou-a no papel. Essa descoberta é o
ápice do meu trabalho. Estes materiais
podem ser adquiridos em qualquer banca
de jornal e até mesmo pela internet. O
que faço é passar os problemas para o
computador para que não se limitem ao
modo de resolução proposto na revista,
mas criar o seu próprio modo de
resolução, imprimo e distribuo as
folhas. Percebi que o tempo de resolução
das atividades diminuem com a prática; é
como um novelo de linha, no começo é
todo enrolado, mas com o uso ele vira
uma linha onde as informações fluem com
maior facilidade.
Como esse trabalho analisa
a forma de pensar da sala, é a partir
dele que percebo como meus alunos se
desenvolverão durante o ano. Pergunto
por que um aluno que “não gosta” de
Matemática se sai bem em problemas de
raciocínio lógico? Creio que isso se
deva ao fato de meu aluno sentir a
necessidade de ser explorado, buscar
dentro de si uma habilidade e somente
então partir para a introdução
algébrica.
É gratificante verificar
os alunos discutindo a descoberta e a
resolução dos problemas. Isso vale todo
o trabalho.
Claudia Maria Galvani de Moura Bertasso
Graduada em Física –
Universidade Estadual Paulista – Unesp –
Rio Claro - SP
Colaboradora do site
www.informaticaeducacional.com

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